Reflexões filosóficas · 2 min

O Homem Entre o Caos e a Luz

“Quem desce ao próprio inferno é quem tem chance de encontrar o paraíso.”

A alquimia da vida moderna

Há uma verdade antiga que continua atual: toda transformação começa no caos. Os alquimistas chamavam isso de nigredo, a fase da dissolução, quando o velho se desmancha para dar lugar ao novo. Hoje, damos nomes mais modernos: crise, burnout, ruptura, demissão, fim de ciclo. Mas o processo é o mesmo.

O filósofo Heráclito já dizia: “Do conflito nasce a harmonia.” E Carl Jung completaria séculos depois que não há despertar de consciência sem dor. Entre o caos e a luz, há um caminho, e ele passa pela aceitação de que perder o controle às vezes é o único jeito de reencontrar o eixo.

A travessia interior

Cada um tem sua noite escura da alma. A diferença está no que faz com ela. Alguns se revoltam com o escuro; outros aprendem a enxergar no breu.

A travessia começa quando paramos de perguntar “por que isso comigo?” e passamos a perguntar “o que isso quer me ensinar?”. A resposta não vem rápido. Mas quando vem, reorganiza tudo.

No caos, o ego desaba. Na luz, o ser emerge.

A beleza do intervalo

Entre o antes e o depois, existe o durante, e é ali que a transformação acontece. O caos é o cadinho que purifica, o laboratório onde o homem comum vira consciente.

Em termos filosóficos, poderíamos dizer que cada dor é uma iniciação disfarçada. Em termos práticos, é o momento em que você percebe que não é mais quem era, mas ainda não sabe quem será.

E tudo bem.

A luz não é o contrário do caos. É o que nasce de quem atravessou o caos e decidiu continuar amando mesmo assim.

João ToledoPsicanalista e mentor. Quem sou

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