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Mate o Menino, Deixe o Homem Nascer

“Crescer não é deixar de sonhar. É aprender a sonhar acordado.”

O mito do amadurecimento instantâneo

A vida adulta chega de formas diferentes: às vezes é o primeiro boleto, às vezes é a perda, às vezes é o silêncio. Mas o amadurecimento — esse, ninguém ensina. Ele acontece no intervalo entre o “eu queria” e o “eu precisei”.

“Matar o menino” não é perder a leveza; é sepultar a ingenuidade de que o mundo vai nos entender sempre. É reconhecer que liberdade e responsabilidade moram no mesmo corpo.

Como dizia Carl Jung, “a vida é um processo de individuação” — ou seja, de tornar-se quem se é, e não quem o mundo queria que fôssemos. Só que esse processo não é gentil. É uma depilação existencial: arranca o supérfluo para revelar o essencial.

O peso de continuar leve

Ser adulto não é endurecer. É aprender a carregar o peso com leveza. É saber que há dores que não se resolvem — apenas se compreendem. É seguir mesmo cansado, e ainda assim preservar o encanto.

A infância, quando bem integrada, não desaparece: ela se transforma em curiosidade, humor e esperança. O problema é quando o menino toma o volante — e o homem vira passageiro das próprias emoções.

O renascimento consciente

“Deixar o homem nascer” é assumir o papel de autor da própria história. É parar de culpar os pais, o chefe, o destino. É dizer: “agora é comigo.”

O filósofo Nietzsche dizia que o homem deve se tornar o “artista da própria vida”. E o artista, sabemos, não se poupa do processo: ele molda, erra, recomeça, quebra, recria.

Matar o menino não é perder a pureza — é libertar o criador que o menino guardava. É trocar o espelho do passado pela janela do possível.

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