Liderança e cultura · 2 min

O Que Forma uma Cultura Forte: Entre o Discurso e a Prática

“A cultura come a estratégia no café da manhã.”Frase frequentemente atribuída a Peter Drucker

O cartaz na parede e o que acontece no café

Toda empresa tem valores estampados em murais inspiradores: ética, inovação, respeito, colaboração. Mas basta acompanhar uma reunião tensa ou um e-mail atravessado para perceber se a cultura é de verdade ou apenas decoração corporativa.

Cultura não é o que a empresa diz que é. Cultura é o que as pessoas fazem quando ninguém está olhando.

Do discurso à vivência

A maioria das organizações não tem uma cultura fraca, tem uma cultura incoerente. O problema não é declarar valores bonitos, é sustentá-los quando o contexto exige o oposto. Respeito é fácil até alguém discordar de você. Inovação é legal até custar mais caro. Ética é linda até o bônus entrar na conta.

A PwC Global Culture Survey 2021 mostrou que 73% da alta liderança acredita que a liderança pratica o que prega, contra 46% dos demais colaboradores. A diferença entre discurso e prática é o abismo onde se perde a confiança.

Cultura é o jeito invisível que as coisas são feitas

Ela mora nas piadas do corredor, nas decisões silenciosas, na forma como o gestor reage ao erro. É o que orienta o comportamento sem precisar de manual.

E o curioso é que ela é, ao mesmo tempo, invisível e extremamente concreta. Não dá pra tocá-la, mas dá pra senti-la, especialmente quando não está indo bem.

A manutenção da cultura

Cultura é como um jardim: se não for cuidada, cresce mato. Ela exige atenção constante, especialmente dos líderes, que são os jardineiros morais da organização.

O professor Edgar Schein, do MIT, referência em cultura organizacional, defende que liderança e cultura são dois lados da mesma moeda: os líderes criam a cultura, e a cultura molda os líderes. Ou seja, se o exemplo do topo é duvidoso, não há campanha de endomarketing que salve o chão.

Prática é o novo discurso

Mais do que slogans, as pessoas querem coerência. Querem ver líderes pedindo desculpas, diretoria ouvindo o time e decisões refletindo os tais “valores institucionais”.

Cultura forte é aquela em que as palavras batem com os gestos. Onde o propósito não é um slide, é uma prática diária.

E no fim das contas, não é preciso escrever “respeito” na parede: basta praticá-lo na reunião.

João ToledoPsicanalista e mentor. Quem sou

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