Da produtividade à humanidade
Por muito tempo, o discurso empresarial separou performance e bem-estar, como se um fosse inimigo do outro. Mas o que os números vêm mostrando é o contrário: as empresas mais lucrativas do mundo são as que melhor cuidam de gente.
O Gallup estima que gestores respondem por ao menos 70% da variação do engajamento entre unidades de negócio. Cuidar, portanto, não é discurso bonito: é estratégia de negócio.
O gestor como elo humano
Um bom gestor é o tradutor entre a pressão da diretoria e as dores da equipe. Ele é quem lê os sinais antes do colapso: o olhar cansado, o silêncio diferente, a ironia que esconde exaustão. Não é papel do gestor virar terapeuta, mas é dele o dever de criar um ambiente onde o ser humano caiba.
Em 2021, a McKinsey & Company publicou uma conversa com o título provocativo “The boss factor”. A ideia central: a relação de uma pessoa com o chefe pesa muito na satisfação com o trabalho. Ou seja, o “fator chefe” pode pesar tanto na saída quanto na permanência dos talentos.
Cuidar não é mimar
Existe uma confusão comum: achar que cuidar é aliviar cobrança. Cuidar é oferecer estrutura, clareza e feedback, tudo com humanidade. É alinhar expectativas, reconhecer o esforço e não transformar o erro em espetáculo público.
O futuro pertence aos que entendem de gente
Empresas que investem em líderes com empatia e inteligência emocional estão ganhando um novo tipo de vantagem: a lealdade. E lealdade, num mundo de talentos móveis, é ouro.
Ser gestor que cuida é ser ponte entre o que a empresa quer e o que as pessoas precisam. E esse, talvez, seja o verdadeiro diferencial competitivo do século XXI.
João ToledoPsicanalista e mentor. Quem sou