Quando o cuidado deixa de ser “mimo”
Durante anos, falar de saúde mental nas empresas soava como fraqueza. O colaborador que dizia estar exausto era visto como “sem jogo de cintura”. O líder que demonstrava empatia era rotulado de “bonzinho demais”.
Mas o cenário mudou, e não por romantismo. Mudou porque o descuido saiu caro.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a depressão e a ansiedade custam cerca de 1 trilhão de dólares por ano à economia global (OMS, 2016). No Brasil, os afastamentos do trabalho por transtornos mentais subiram 66% entre 2012 e 2024, de 283 mil para 471 mil, segundo dados do INSS compilados pelo Smartlab e reportados pelo Diário do Grande ABC.
A conta não fecha: é impossível sustentar alta performance em um ambiente que drena energia emocional.
O novo indicador de sucesso: bem-estar
O bem-estar deixou de ser benefício e passou a ser métrica. Empresas inteligentes estão tratando a saúde mental como parte do OPEX estratégico, não como custo “intangível”.
O cuidado é hoje uma estratégia de retenção, produtividade e reputação. Quando o colaborador percebe que pode ser humano sem punição, ele devolve em engajamento e lealdade.
Cuidar também é cobrar (do jeito certo)
Cuidar não é aliviar metas. É alinhar expectativas, oferecer suporte e cobrar com empatia. Líderes que entendem isso não diminuem o ritmo: aumentam a coerência.
A matemática é simples: quem se sente visto trabalha melhor.
O mito da “resiliência infinita”
Um erro comum nas empresas é achar que o colaborador precisa ser “forte” o tempo todo. Mas até o elástico mais resistente arrebenta quando esticado sem pausa. Saúde mental não é ausência de problema: é a capacidade de se recompor com apoio, não sozinho.
Cuidar não é um agrado. É uma decisão de gestão. Porque nenhuma estratégia sobrevive à exaustão das pessoas que a executam.
João ToledoPsicanalista e mentor. Quem sou