Quando o foco cansa
“Você precisa de foco.” É a frase preferida de nove entre dez gestores, e também o maior clichê da vida moderna. O problema é que focar ficou restrito à ideia de concentração, quando, na verdade, é uma questão de energia.
A maioria das pessoas não perde tempo: perde energia com o que não importa. Querem estar em todos os projetos, agradar a todos os lados e manter todas as portas abertas. Mas a energia segue a atenção. E onde sua atenção vai, sua vida vai junto.
O perigo da dispersão produtiva
Muitos profissionais parecem ocupados, mas estão apenas ocupando o próprio vazio. São mestres do movimento, mas reféns da direção. Trabalham doze horas por dia, mas dormem com a sensação de que nada se moveu.
Foco real não é rigidez. É ter clareza sobre o que merece o seu melhor, e coragem para abandonar o resto.
Direcionar é escolher o que não fazer
O escritor Greg McKeown, autor de Essencialismo, resume bem:
Se você não definir suas prioridades, alguém fará isso por você.
Direcionar a energia é um ato de maturidade:
- É dizer não a reuniões inúteis.
- É parar de discutir o que não muda o jogo.
- É cuidar do corpo como parte da estratégia.
- É usar o propósito como bússola, não como marketing pessoal.
Propósito é foco com sentido
Quando o foco encontra o propósito, nasce o estado de fluxo. A mente para de lutar contra si, o tempo passa diferente e o resultado aparece sem a exaustão habitual.
Isso não é misticismo. Quando o trabalho tem sentido, ele deixa de ser punição e passa a ser expressão.
Direcionar energia é aprender a canalizar o que você é para o que realmente importa. E isso, no fim das contas, é a definição mais elegante de performance.
João ToledoPsicanalista e mentor. Quem sou